2 horas da manhã. Nos meus dedos, o frio teclado digital do tablet - frio porque não sinto a profundidade do teclado do computador, sinto apenas uma tela que ficará manchada pelas minhas digitais. Já bocejei, já despertei, já bocejei de novo e dou meu mindinho do pé para não despertar mais uma vez. De repente, dei pra pensar nos meus medos, tão exaustivos e superficiais - como eu.
Tenho medo de ver o dia amanhecer. Não que eu não goste do sol, pelo contrário. Não gosto é de perceber que encarei dois ou mais dias seguidos sem sonhar durante a noite. Uma sensação de que atravessei o tempo. Ou seja, um medo poético - pura frescura.
Não, não tenho medo de avião. É só não tocar mamonas dentro do bicho que eu fico bem. Simples assim.
Meu maior medo no momento? De elevador. Não gosto de caixas - nem que sejam de sapato. Não que eu seja claustrofóbica, mas a possibilidade de ficar presa em um lugar escuro entre um andar e outro não é nem um pouco legal. Mas preciso superá-lo, afinal não quero ser uma adulta problemática. Com os pensamentos ligados no modo madrugada, imagino que, a qualquer momento e em qualquer lugar, posso ficar presa e no escuro - não só em elevadores. Aliás, eles não tem culpa de nada, são bichos tão inteligentes quanto aviões ou computadores - a maluca sou eu. Pronto, o medo virou solidariedade.
Tenho medo de insetos. Qualquer animal que voe me preocupa - até mesmo pilotos imbecis. Digo isso porque sei que eu pudesse voar, faria merda. Imagine um animal mil vezes menor que eu? Bom, ainda bem que Deus não deu asas à cobra. Melhor assim.
Tenho medo de brigas. Qualquer briga. Morro de medo de quem desliga o motor da consciência e joga merda no ventilador. De quem não sabe usar a matemática do bom senso e não mede suas palavras. Seres humanos nervosos são piores que bombas nucleares.
Tenho medo de outras coisas que o sono não me permite lembrae. Mas medos são tão ridículos... assim como a vida, cartas de amor e redes sociais. Ruim com eles, pior sem eles. Será?
Não despertei. Acho que vou arrancar meu mindinho e oferecê-lo a Morfeu.
(Ouçam summer breaze, jason mraz)
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Medos e bocejos
domingo, 21 de outubro de 2012
Primeira pessoa
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Um lugar chamado Vazio
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Necessidades
sexta-feira, 8 de junho de 2012
A bomba e a metáfora
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
“Underground”
Há alguns dias, deparamo-nos com notícias sobre projetos políticos (?) que queriam promover a segurança sobre direitos autorais no “núcleo central” da democracia: a web. Autores, cantores, editoras, gravadoras... – ou seja, todas as entidades detentoras de direitos sobre músicas, textos ou qualquer outro tipo de “mídia” serão totalmente beneficiadas. E nós, pobres seres mortais, amigos do ócio e da obesidade mórbida e feitos sinteticamente de sedentarismo puro e cristalino, é claro, seremos punidos. Para que não haja punição, devemos acabar com aquela velha e boa solidariedade virtual que chamamos de “compartilhamento de arquivos” – e não pense que é só o pobre nerd de mãos engorduradas e espinhas no rosto que sofrerá com pipas, sopas e outras siglas de gosto duvidoso. O funkeiro, forrozeiro, roqueiro, amigo do gueto ou até mesmo a pobre pessoa que quer apenas baixar o último lançamento da Britnéia terá que dirigir-se à loja virtual mais próxima e gastar um suadíssimo dinheiro numa única canção – isso se ela não quiser afastar suas nádegas da cadeira e gastar mais dinheiro ainda numa livraria. Nada contra as livrarias... Inclusive, deixo claro que não há coisa melhor do que sucumbir ao site dessas super lojas e vibrar com descontos em cd’s originais dos seus ídolos.
Vamos resumir estas palavras? Faremos melhor: que tal descodifica-las?
Para os extremistas de plantão, o capitalismo chegou ao seu limite máximo. Para os viciados em política, a crise resolveu estampar as páginas policiais com fotos de donos de site de compartilhamento escondidos em cofres abarrotados de dólares, euros e outras “verdinhas”. Para os revoltados, fica a pergunta: será que ao menos sobrará o Twitter para registrar meus xingamentos no mundo ou terei que pagar para mandar todas essas entidades para aquele lugar onde o Sol não bate?
E para os desacreditados, futuros suicidas e “posers” (expliquem-me o real significado desta palavrinha), só resta propagar o fato de que uma menina não compareceu ao comercial do papai porque foi... Bom, vocês sabem para onde Luiza foi.
O que vim fazer aqui? Bom, esta é a mesma pergunta que milhares, milhões e zilhões de pessoas fazem neste momento ao receberem o aviso dos seus lindos computadores que a conexão com “a rede” está autorizada. Até os marmanjos – pobres homens adjetivados de forma brega e decadente veem-se sem chão com o fim da pornografia virtual. Os pais preocupados agradecem. Os garotos vitimados pela puberdade enlouquecem.
De repente, regredimos. Nossos pais, avós e as gerações mais anteriores ainda conseguiram viver sem TV, rádio ou outras coisas que hoje são indispensáveis para nós – e viveram sem a web, minha gente! Mas em qual século? Em qual milênio? Num tempo bem distante, isto é bem certo. Num tempo com costumes diferentes, com pessoas diferentes, com clima diferente... Eles viveram com o que construíram: invenções, teorias, obras de arte etc. Nós vivemos da opinião que construímos, das nossas invenções, vivemos da evolução de quem não vive mais. E não nos esquecemos de nada... Só de ex-BBBs, mas isso (ainda) é permitido.
Tenho medo dessa insanidade virtual, desse vírus de poder (e de metáforas) que invade nosso mundo. Somos diferentes dos que foram há anos e dos que vão ser daqui a anos. Não é possível que nossas opiniões, tão bem registradas na internet se esvaem para que os já intactos padrões de cultura sejam mantidos e obedecidos ao pé da letra. Não é possível que deixemos de ter nosso precioso espaço para mostrar quem somos e do que gostamos.
Enfim, aqui estamos. 2012 chegou... E isso está sendo gritado há quase um mês. Mas agora, o medo não é da morte propriamente dita. Nós temos medo de ver nossas opiniões morrerem. Temos medo de perder o reinado que o poder do livre arbítrio nos deu. Ah, como queríamos que esta fosse apenas uma época de revolta política, onde caras pintadas e sangue no asfalto fossem o suficiente para nos trazer a liberdade que queríamos...
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
A despedida, a comemoração e a harmonia nossa de cada dia
Durante três anos, vivi as loucuras de um ensino médio que vai fazer falta. Ok, isso não é um blog colegial, mas preciso destacar a importância desse tempo e dessa experiência (que já foi citada aqui). Afinal de contas, o que seria de mim sem as tantas codificações que aquela escola me proporcionou?
Durante meses e meses, espero pelo começo das férias. Para que a minha dedicação a este portal seja maior, para deixar de lado a necessidade de um ritmo “tranquilo” na semana e principalmente para aposentar meu pobre despertador – não sentirei saudades dos seus berros antes das sete, querido Jay Kay.
E agora, ansiosa e com medo da chuva apertar e dificultar minha volta pra casa depois de um dia de nenhuma tarefa no estágio, só tenho uma coisa a fazer: tentar dedilhar algumas palavras antes do centésimo post. Vocês leram direito. Centésimo.
Dedilhar... Sei que os leitores mais críticos e embalados pela brincadeira de fingir que é intelectual implicarão com este estranho verbo. E eu também implico com ele, apesar de adorar falá-lo – ou seja, também estou na brincadeira, no faz de conta. Antes que comecem a perguntar: “uai, eu pensei que dedilhar fosse algo exclusivo para instrumentistas, esse blog é feito de cordas?”, preciso dizer: calem-se, assim vocês me deixam mais louca ainda!
Sim, me apossei do verbo mesmo, na cara de pau. Explicações básicas: não toco violão, mesmo morrendo de vontade de aprender. Aliás, não toco nenhum instrumento além de guitarra imaginária e bateria de lápis e caneta. Então por que dedilho:
Hora da teoria do dia, amiguinhos.
Vamos fazer uma roda bem bonita e descodificar o verbo dedilhar. Ligando o lado lúdico da mente... Isso aí. Se imaginarmos esse tal verbo com os olhos bem fechados... Delicadeza. Vejo gestos delicados em volta das cordas. Como se essas cordas fossem fios de cabelo que a gente alisa, acaricia etc. E então sai aquele som lindo, maravilhoso, poderoso e... Ei, dá pra parar de reclamar que eu to enfeitando demais? Eu avisei, liga o lado lúdico! Que saco!
Enquanto bato com força nessas teclas quase apagadas para gerar as palavras nesta tela que se posiciona na exata altura dos meus olhos, sinto que estou dedilhando palavras. Criando uma harmonia entre essas letras soltas e formando significados distintos para cada mente. Portanto, dedilhamos nesse blog umas... cem vezes? Quase! Estamos chegando lá. Mas deixemos pra pensar em comemorações numa próxima rodada. O que importa agora é a consciência de que sim, somos capazes de gerar todo e qualquer tipo de harmonia em nossas vidas.
Como eu já disse uma vez, a nossa vida é feita de sons. No fim das contas, tudo dá em barulho ou sinfonia. Pode ser uma orquestra triste. Um violão ao pôr-do-sol. Uma guitarra às duas da manhã. Um agogô no meio do Pelourinho. Uma bateria de escola de samba exaltando as belezas mais raras e profundas de algum lugar do mundo. O piano de um café rebuscado e cheio de requinte. Um sax pra mostrar solidão, angústia e sorrisinho charmoso. Uma sanfona turbinada, em polvorosa. Um “tchechererêtchetchê” pra chamar de seu, sem eira nem beira, só pra explorar o sex appel da sua camisa xadrez e o poder de sedução do seu cabelo espetado. Um cavaquinho cheio de boemia e história pra contar. Um “pagodim” desletrado só pra extravasar e modernizar a velha frase “garçom, aqui nessa mesa de bar, você já cansou de escutar...”.
Ou um batidão boladão cheio de inspiração. Ou não.
Ah, vocês é quem sabem... Vocês são quem harmonizam e desarmonizam suas vidas. E que façam isso com cuidado, cautela ou coisa parecida. Que saibam respeitar momentos, sintonizar sentimentos, rimar... É, tenho aprendido que rimar não é tão necessário assim. Afinal, existem coisas mais importantes, como não perder o foco.
Eu falo de harmonia. Enquanto isso, falo de despedida. Tô dizendo tchau pra um monte de gente que eu vi amadurecer comigo. Tô dizendo oi pra um ano que já chega com o título de “exterminador do futuro”. Tô contendo as lágrimas, tentando parar de roer as unhas e enchendo bolas pra festa imaginária desta casa. Tô aqui, pensando na vida, enquanto ainda me restam 70 minutos de trabalho.
É a vida, como sempre. Eu escolhi minha canção favorita. Ainda troco de vez em quando, mas não é por mal. É só por vício em novidades. E que esse vício me salve de qualquer resquício de saudade ou desafinação.
(Ouça Eu e a vida, Jorge Vercillo)
Je vois la vie en rose, amiguinhos.
Post 98. Contagem regressiva.
#Descodifiquem-se!
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Tudo sobre minha vó(vovó)
Há cinco anos, eu via um DVD do Cirque Du Solei quando minha mãe chegou com os olhos vermelhos e um ar tristonho. Por mais criança que fosse, eu já poderia muito bem imaginar a situação.
Pois bem. No dia 28 de novembro de 2006, minha bisavó – não gosto dessa palavra, prefiro o termo que inventei quando tinha poucos anos de vida, vovovó – morreu. Isso mesmo, não pretendo usar eufemismos na tentativa de suavizar algo que é simples de ser entendido. Poderia dizer que ela partiu, foi embora ou virou uma estrelinha... Não. Acho que a morte é séria demais pra ganhar um tom desses. As pessoas nascem, crescem e morrem – como posso modificar uma das primeiras frases que aprendi na vida? A morte é uma etapa, faz parte. Mesmo que infelizmente.
Vovovó morreu, mas um monte de coisas ficou. Sério, é como se ela estivesse aqui, agora, em qualquer lugar. Acho que não cabe a mim discutir essas histórias de vida após a morte, isso é algo que não pertence à dimensão que vivo. Simplesmente acho que as lembranças são o suficiente. Quando vovó morreu, nem cheguei a pensar que ela fosse virar um anjo. Primeiro porque ela não curtia muito essa história de anjos. E porque sempre me esqueço de usar essa teoria quando alguém morre. Também não pensei na hipótese dos fantasmas. Sim, sei que vovovó fazia questão de ser onipresente, mas não consigo conceber a ideia de que a morte simplesmente nos torna invisíveis – e se quisermos ser vistos, é só puxar uma corrente ou usar um lençol branco cobrindo o corpo. Vovovó não gostava de fantasmas. Aliás, ela detestava filmes de terror, sempre preferiu os que retratavam as histórias bíblicas que ela gostava de nos contar. Às vezes ria de alguma comédia, ou se prendia a um documentário sobre alguma figura importante para o mundo. Ah, ela adorava novelas, todas elas. Mas ela gostava desses programas de fofoca, algo bem trash como Luciana Gimenez ou Sônia Abrão. Vovovó adorava rir de piadas inteligentes, e até as de português que eu lia no jornal e ia correndo contar para ela. Fazia o tipo conservadora, e dizia que só me deixaria namorar aos 18 – ainda bem que consegui uma brecha para os 15. Eu era a bisneta mais velha, e sim, fiz parte de uma seleta lista secretíssima em sua mente. A gente se deliciava com os churrascos feitos por meus tios, desses que a empregada fica com o cabelo em pé quando tem que limpar a churrasqueira e outras partes da casa. Os almoços de fim de ano eram verdadeiros banquetes. Sorteios sobre a mesa repleta de parentes e amigos, risadas... E como não lembrar o seu bocapiu? Para quem não sabe, bocapiu é uma bolsa de palha que dá pra levar de um tudo. Vovovó provava que era a boa nordestina que ainda usava bocapiu... Deus, aquelas bolsas são geniais.
Vovovó era vaidosa. Senhorinha de igreja, inteligente, importante, pronta para falar, fazer e acontecer. E amava ensinar. Graças a ela, sei ler e escrever. Graças a ela, esse blog que amo tanto existe. Graças a ela, eu existo.
Ela não está aqui. Não está sentada na sala fazendo crochê ou tricô enquanto ouve a lista de óbitos da programação vespertina da Rede TV. Ela não está na mesa da varanda tentando me ensinar a fazer a prova dos nove. Ela não está no telefone com minha avó programando o almoço de domingo. Ela não está atrás de suas torradas levemente salgadas e seu chá de erva doce, nem está tirando uma soneca no “cafofo” enquanto a mesa do lanche é arrumada. Vovovó está em um lugar melhor. Está nos meus sonhos, está nos meus pensamentos e nas minhas centenas de milhares de rezas diárias. Está nas minhas aflições e nos meus melhores momentos. Vovovó não é só mais um tipo padronizado de senhorinha de óculos que anda cheirosa e oferece um colo terno para seus filhos, netos e agregados. Acredito que vovovó esteja na paz de todos que a amam. Ela está na minha paz, na minha segurança, na minha fé. Está dentro de mim, assim como todos que amo e que quero por perto.
E que um dia, eu consiga ser metade do que ela sempre vai ser pra mim. Que eu possa continuar o que ela parou. E se ela puder me ver, que ela saiba disso, que continue se orgulhando de mim, mesmo estando ciente dos meus inúmeros e humanos defeitos.
“Sempre graças hei de dar”.
#Descodifique-se.


