segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Descodificando o amor virtual
Alianças de noivado, compromisso, bla bla blá. Gente falando demais, se amando demais, dedicando canções, fazendo corações com a mão, declarando-se altamente (e perigosamente) apaixonada... Espera aí que eu vou dar uma vomitada e já volto.
O amor virtual é um dos amores mais falsos que há - e essa é uma das certezas que eu nunca vou deixar de acreditar, mesmo quando um sujeito aparecer em minha vida e me fazer amar loucamente. Aliás, o Facebook me fez mudar de opinião sobre algo que sempre acreditei estupidamente: eu pensava que o amor era o tipo de sentimento que devia ser gritado, compartilhado, tatuado na testa, fincado no corpo, que devia parar o mundo só por ser amor, por ser algo verdadeiro, vindo das entranhas do indivíduo que o sente. Deus, como eu estava errada.
Graças à invenção do senhor Zuckerberg, do Saverin e daqueles gêmeos lindos que aparecem no filme, percebi que o amor virtual é algo tão frio quanto um congelador (perdão pela péssima comparação). O amor que você precisa gritar para os outros não é amor, é vaidade - e se você quer ser vaidoso ou vaidosa, é pra isso que existem espelho e maquiagem da Avon. O amor que você precisa dizer que sente não é amor, é frescura, nem chega a ser faísca. O amor que você precisa provar a todo instante por meio de invasões à conta do parceiro(a) não é amor, é possessão e falta do que fazer.
Bom, você deve estar se perguntando: por que falar de um vírus que só trabalha no colegial? Primeiro: essa parada de "colegial" não existe mais; segundo: essa praga desse amor virtual tá pegando gente que tem idade pra ser avô.
O elemento "carência" é uma merda. É uma espécie de gás hidrogênio, de nitrogênio ou de alguma substância explosiva. Altera os neurônios, os nervos, os órgãos e todo o corpo. A carência leva você a fazer coisas que podem deteriorar sua imagem (não só aquela que você quer mostrar aos outros, mas também a que você encontra no espelho e que faz você pensar que está horrível): você diz coisas ridículas, publica imagens do "Rindo no Face", publica letras de canções que nem você entende, escreve o nome do amado (ou da amada) acompanhado de um S2 com caneta Bic no braço (porque não tem grana ou idade pra fazer uma tatoo de verdade), além de assassinar a língua portuguesa com pérolas que não estou com saco para citar no momento.
É só sentir o peso da vida adulta que a carência toma proporções inimagináveis: um ser de 20, 30, 40, 50 anos ou mais volta a ter 15 anos, assinar seu nome com o sobrenome do seu ídolo (que no caso pode ser um vampiro, um jogador de futebol com um penteado mais caro que a minha escova de 60 reais ou uma "diva" que desmoraliza qualquer drag queen com suas vestes) e postar macaquices do tipo " partiu academia". Aí você vai, ama um sujeito ou uma sujeita, se desespera como uma cadela no cio e... Puf, quando o amor acaba, a vida volta a ser a mesma merda de antes.
Nenhum sentimento é desprezível ou evitável. Se sentimos dor, devemos saber porque a sentimos antes de cortá-la pela raiz - embora façamos o contrário na maioria das vezes. Se estamos tristes, devemos aprender com a merda que fizemos ou com a merda que o outro fez. Se estamos felizes, viva, lutemos para que este sentimento não se vá. Mas se amamos de verdade, se sentimos aquele amor que envolve todos os outros sentimentos citados e não citados, devemos preservá-lo. Pra que gritar pra coleguinha que o seu boy tem dona? Talvez porque você tenha vários outros, mas quer mostrar serviço mandando em todos. Pra que dizer pro mundo que você está triste, cansada, feliz, necessitada de um beijo ou que está vendo a filmografia da Jennifer Aninston enquanto chora loucamente atrás de um cara estilo Johhny Depp? Ninguém perguntou nada! - e por mais que isso aumente o seu grau de carência, é preciso encarar a verdade dos fatos.
Não vejo problemas em amar e ser amado, pelo contrário. E acho normal confundir as coisas, ora. O que acho vomitável é a necessidade de se expor, de abrir o coração para um monte de gente que não está nem aí. É pra isso que existem melhores amigas, diários e outras bizarrices.
Se há cura para a carência? Depende do momento, da pessoa, do nível de carência ou se você tá encucado por causa de alguém. Mas chega porque isso aqui não é pleinco nem revista Capricho.
Portanto, na próxima vez que pensar em gritar seu amor para o mundo, dê uma volta no corredor e pense bem se você o/a ama de verdade. E não precisa me dizer a resposta.
(Ouça Papo Cabeça, Lulu Santos)
sábado, 1 de setembro de 2012
Entre Clarice e Chico
sexta-feira, 27 de julho de 2012
O "todo mundo" e o carinha da esquina
Tão quente que fomos multados. Disseram que atentado ao pudor dá cadeia.
Uma pena que "todo mundo" seja tão simbólico.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
“Underground”
Há alguns dias, deparamo-nos com notícias sobre projetos políticos (?) que queriam promover a segurança sobre direitos autorais no “núcleo central” da democracia: a web. Autores, cantores, editoras, gravadoras... – ou seja, todas as entidades detentoras de direitos sobre músicas, textos ou qualquer outro tipo de “mídia” serão totalmente beneficiadas. E nós, pobres seres mortais, amigos do ócio e da obesidade mórbida e feitos sinteticamente de sedentarismo puro e cristalino, é claro, seremos punidos. Para que não haja punição, devemos acabar com aquela velha e boa solidariedade virtual que chamamos de “compartilhamento de arquivos” – e não pense que é só o pobre nerd de mãos engorduradas e espinhas no rosto que sofrerá com pipas, sopas e outras siglas de gosto duvidoso. O funkeiro, forrozeiro, roqueiro, amigo do gueto ou até mesmo a pobre pessoa que quer apenas baixar o último lançamento da Britnéia terá que dirigir-se à loja virtual mais próxima e gastar um suadíssimo dinheiro numa única canção – isso se ela não quiser afastar suas nádegas da cadeira e gastar mais dinheiro ainda numa livraria. Nada contra as livrarias... Inclusive, deixo claro que não há coisa melhor do que sucumbir ao site dessas super lojas e vibrar com descontos em cd’s originais dos seus ídolos.
Vamos resumir estas palavras? Faremos melhor: que tal descodifica-las?
Para os extremistas de plantão, o capitalismo chegou ao seu limite máximo. Para os viciados em política, a crise resolveu estampar as páginas policiais com fotos de donos de site de compartilhamento escondidos em cofres abarrotados de dólares, euros e outras “verdinhas”. Para os revoltados, fica a pergunta: será que ao menos sobrará o Twitter para registrar meus xingamentos no mundo ou terei que pagar para mandar todas essas entidades para aquele lugar onde o Sol não bate?
E para os desacreditados, futuros suicidas e “posers” (expliquem-me o real significado desta palavrinha), só resta propagar o fato de que uma menina não compareceu ao comercial do papai porque foi... Bom, vocês sabem para onde Luiza foi.
O que vim fazer aqui? Bom, esta é a mesma pergunta que milhares, milhões e zilhões de pessoas fazem neste momento ao receberem o aviso dos seus lindos computadores que a conexão com “a rede” está autorizada. Até os marmanjos – pobres homens adjetivados de forma brega e decadente veem-se sem chão com o fim da pornografia virtual. Os pais preocupados agradecem. Os garotos vitimados pela puberdade enlouquecem.
De repente, regredimos. Nossos pais, avós e as gerações mais anteriores ainda conseguiram viver sem TV, rádio ou outras coisas que hoje são indispensáveis para nós – e viveram sem a web, minha gente! Mas em qual século? Em qual milênio? Num tempo bem distante, isto é bem certo. Num tempo com costumes diferentes, com pessoas diferentes, com clima diferente... Eles viveram com o que construíram: invenções, teorias, obras de arte etc. Nós vivemos da opinião que construímos, das nossas invenções, vivemos da evolução de quem não vive mais. E não nos esquecemos de nada... Só de ex-BBBs, mas isso (ainda) é permitido.
Tenho medo dessa insanidade virtual, desse vírus de poder (e de metáforas) que invade nosso mundo. Somos diferentes dos que foram há anos e dos que vão ser daqui a anos. Não é possível que nossas opiniões, tão bem registradas na internet se esvaem para que os já intactos padrões de cultura sejam mantidos e obedecidos ao pé da letra. Não é possível que deixemos de ter nosso precioso espaço para mostrar quem somos e do que gostamos.
Enfim, aqui estamos. 2012 chegou... E isso está sendo gritado há quase um mês. Mas agora, o medo não é da morte propriamente dita. Nós temos medo de ver nossas opiniões morrerem. Temos medo de perder o reinado que o poder do livre arbítrio nos deu. Ah, como queríamos que esta fosse apenas uma época de revolta política, onde caras pintadas e sangue no asfalto fossem o suficiente para nos trazer a liberdade que queríamos...
sábado, 13 de novembro de 2010
Muita calma com essa tropa.
Bom, não sou de fazer críticas sobre músicas ou filmes, mas devo dizer que existem momentos em que expressar sua opinião é mais do que necessário. Digo isso porque tive uma recente percepção do cinema do meu país que preciso deixar clara no meu blog. Acho que já disse em algum post sobre a dor de cabeça que é ir ao cinema hoje em dia, afinal de contas gastar mais de vinte reais no ingresso, na pipoca e no refrigerante não é a coisa mais legal do mundo, nem mesmo sair do cinema tonto por causa do 3D e sem entender pacas da história do filme. Porém, no início de outubro percebi que o cinema brasileiro se supera quando resolve fazer filmes com enredos realistas e nada convencionais. Ao ver a continuação de “Tropa de elite” – além de me impressionar ainda mais com meu querido descodifiador profissional Wagner Moura – comecei a admirar, com todas as letras, a nossa indústria latina. Muito mais complexo que o primeiro filme, “Tropa de Elite 2” é todo trabalhado num naturalismo que mostra da forma mais transparente possível como anda a situação do nosso estado, ou melhor, do nosso país. A exímia atuação de André Mattos como uma “representação” do Wagner Montes e o miliciano Rocha são toques brilhantes no “Tropa 2”. E descrever a perfeita atuação do Moura é algo desnecessário. Uma obra chocante, obscura e totalmente genial – sem tirar nem por.
(Testudo ou não, Wagner arrebenta!)
No dia 12/11 fui novamente dar meu incentivo aos cineastas brasileiros e assisti “Muita calma nessa hora”, produzido por Felipe Joffily e com grandes colaborações artísticas no roteiro. Na minha opinião, o filme poderia ter sido melhor. Devo dizer que o visual é ótimo e que a trilha sonora é sensacional (a presença dos mineiros do Jota Quest é simplesmente perfeita), mas falta alguma coisa… No fundo, a história é muito interessante – dessas que pode ser eternizada num livro. Os atores – na maioria mulheres – dão conta do recado. Marcelo Adnet dá uma graça inexplicável ao viver um mauricinho paulista viciado em eletrônicos. Algo que merece destaque no filme é o fato do Sérgio Mallandro não soltar nenhum “yeah yeah” ao viver um tatuador distraído. Como já disse, o filme não é tãaao maravilhoso, mas dá pra garantir boas risadas e uma boa “reflexão feminina” ao sair do cinema. Alguns personagens tiveram duas ou três falas no máximo, como o já querido Bruno Mazzeo, que falou o tradicional “Não é nada disso que você está pensando”. Ah, quem puder prestar atenção na micro-mini participação do Marcelo Tás, por favor, mande um comentário.
(Sem nenhum salcifufu!!!)
E é isso. Daqui a pouco vem alguma crônica. Descodifiquem-se.


