Look at earth from other space
Everyone must find a place
Give me time and give me space
Give me real, don't give me fake.
Houve um tempo em que o mundo era mundo de verdade. Havia um caminho natural para cada coisa, e cada coisa tinha sua natureza respeitada. O tempo e o espaço eram júris; decidiam e davam ordens como ninguém. Pulmões gritavam e eram respeitados até pela fumaça – se é que havia fumaça. As palavras eram simples e ignorantes – mas eram neutras, limpas, cheias de si e de coragem. O ar era sólido. A vida tinha seu chão. O destino era lapidado como diamante. Ser humano era ser humano realmente, era seguir seus instintos, e não fazê-los. Era tudo firme, sem falsidades, sem esquecimentos. Progredir era saber caminhar sem desrespeitar. Politizar era erguer o mundo, era construí-lo sem destruir nada. O mundo era regido por todos e por si mesmo. Havia paciência, mas havia competência. Havia segurança porque havia sensibilidade. Havia confiança. Havia resposta porque não havia medo de perguntar. Havia voz para perguntar. Havia voz para responder. Havia respeito para que os dois verbos anteriores fossem conjugados. Havia realidade porque havia sonho – e sim, ele vivia dentro e fora de cada um. Havia ordem porque havia consciência. Havia natureza – a mais bela, pura e original, a mais natural que poderia haver. Havia sutileza nas ações. Havia inspiração. Via-se inspiração em cada grão de areia ou em cada gota d’água. Harmonia era bem mais que viver no meio das cores ou ser uma cor – era viver forte e fortalecer-se com a vida. Revoluções eram desnecessárias, pois os problemas eram resolvidos de imediato, e os argumentos mais verdadeiros sempre venciam. O amor já era indefinível, mas era descomplicado, sem traquejos, sem substâncias ou alterações. Era possível viver em paz. Era possível ter paz. As verdades eram ditas por si mesmas, sempre intactas. A política era tão importante quanto respirar, mas era diferente: cada um tinha a sua. A verdade era humana, a política respirava, o mundo era mundo e pés eram pés. Os olhos eram saudados com alegria pelas paisagens, as bocas eram rainhas comportadas, as mãos eram ajuizadas e os abraços eram dignos de um belo e largo sorriso. E a política… O mundo era voltado para ela. Mas não havia gravatas nos pescoços dos homens, muito menos cordas. Eram pescoços livres, para que as gargantas respirassem.
Todos diziam suas políticas.
Mas aí vem o choque. Você acorda, vê que isso é só mais uma historinha, algo bobo e sem nenhuma precisão. Invenção de cabeça sem regras, execução de dedos sobre o teclado frio de uma noite quente. Nada mais que um sonho e o arrepiar de cabelos de alguém que não faz sentido simplesmente porque não possui o material necessário. Vê que a janela tem cor de sofrimento – ou é você que tem a vista deprimida? Vê que a ordem das coisas é avessa à ordem dos sonhos. Olha-se no espelho e encontra suas tatuagens da juventude – bons tempos, a velha rebeldia sem causa deixa saudades. A lástima é o assunto principal. A sua política está muda. O seu tempo está mudo. Você está mudo enquanto pensa que tem voz e sabe usá-la.
Será que ela ainda pode falar mais alto?
Tell me your own politic.
* Os trechos acima pertencem à música “Politk”, Coldplay. Letra completa no link: http://letras.terra.com.br/coldplay/65410/traducao.html
#Descodifique-se.
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