domingo, 5 de junho de 2011

Guerra

Há uma guerra em mim. Conflito de interesses, divergências, paradoxos, sublimes contos de morte e recomeço. Armamento pesado, explosões de sentimentos e ilusões. O medo me serve um copo de veneno, e o tempo trata de adiantar seu efeito. Meus nervos, uniformizados, lutam contra a sensibilidade para alcançar a força e o status. A alma tece a bandeira branca, mas a mão insiste em fazê-la cair. Os pés, desgovernados, alcançam os inimigos com frieza, mas se enfiam na terra ao tê-los olho no olho.

Há uma guerra em mim. Meu corpo resolve surtar, agindo sem meu controle. Meus sentidos se rebelam e fazem o que quer de mim, abusando do meu poder de entendimento. Meus olhos já olham o mundo do avesso, andando pela contramão, sempre a me desequilibrar. Intolerante e arrependida, sinto que nada mais importa além do que sinto. Fecho-me, enquanto o mundo tenta se abrir. Tento trancá-lo em um pote transparente, para que ele me veja e seja meu refém. A recompensa é a paz, a resposta, o fim da questão.

E nada mais importa, nada anda, nada volta.

Há uma guerra em mim.

Sem previsão de fim.

 

 

 

#Descodifique-se.

Nenhum comentário:

Postar um comentário