Todos os tipos de teoria me enfeitiçam. A diversificação de suas ideias, o mundo de concepções tão distintas dentro de um único conceito... Mas o que mais me fascina nesse intrépido fato de constituir raciocínios dentro de conclusões cuidadosamente analisadas é a forma mágica de soltá-los no mundo, de mostrá-los na sua forma pura e natural. Ok, sem delongas: o que me fascina na criação de uma teoria é a forma como ela é dita, como é demonstrada e observada. Pense comigo: Charles Darwin, no ápice de sua genialidade, foi lá e construiu sua visão sobre a origem de tudo, dando às já tão chatas perguntas “de onde viemos” e “para onde vamos” um ar sublime, mágico e pitoresco, citando a evolução das espécies e construindo um pensamento quase que universal sobre a natureza e suas maravilhas. Porque um homem fez a tal pergunta “e se?”, a Ciência deu uma guinada histórica e libertou seus pensamentos mais estreitos – e sombrios, segundo a Igreja.
Ok, sem aulas de biologia... Vamos ao que interessa.
Pergunto-me: quantas ideias já enfiamos na cabeça e não damos um empurrão para se tornar uma nova perspectiva? Tudo bem que isso parece um pouco entediante – talvez por ter uma dose um pouco exagerada de Filosofia – mas vamos pensar bem: se sobrevivemos graças à forma como vemos o mundo e toda a “geringonça” que ele carrega, por que relaxamos tanto? Não culpemos as desgraças pessoais e o tão valioso tempo que trabalho e família ocupam, porque isso não se trata de uma complicada questão em que seja necessário fazer a mão esquerda de apoio para o queixo enquanto imitamos um pensador grego. Não precisamos codificar nada para conhecer novas alternativas – visionárias ou não – que sirvam de teoria futuramente. Na verdade, precisamos descodificar – e isso parece ser trabalhoso demais para homens engravatados e com agendas lotadas. Não nos preocupamos em olhar a natureza com maior profundidade ou seja lá o que for, pois já existem milhares de pessoas que são pagas exatamente para fazer isso. Não olharemos os extremos dos pensamentos mais ocultos; ora, deixemos esse serviço para os psicólogos ou profundos observadores da humanidade. E cá entre nós, vivemos num mundo onde a tecnologia trabalha justamente para fazer novas descobertas e disponibilizá-las em redes sociais de todos os tipos, sendo que se não fosse por grandes figuras “teoróticas”, muito do que se faz necessário na nossa rotina não seria inventado – isso já é outro papo, não vamos misturar as coisas. Não digo que devemos pegar uma planta e colocar num microscópio até acharmos uma nova cadeia de células ou de substâncias que nos encaminhem a afirmações desconhecidas e inimagináveis, nem devemos pegar um papel e esboçar novas equações e fórmulas matemáticas, químicas ou físicas com o intuito de revolucionar o mundo e suas adjacências. Apenas recomendo viver com os olhos mais abertos, mais preparados para enxergar o que nos cerca. Temos o mundo inteiro ao nosso redor, e este nos tem. Sendo assim, nada mais justo que explorar não só as artimanhas da sua vasta natureza, mas também seus sentimentos e pensamentos. Olhar as coisas de outro jeito, entender as mudanças que compõem o presente e o futuro, saber lidar com probabilidades e afins, entender que teorias não são meras alucinações que temos, mas sim conclusões tiradas de experiências e da realidade nua, encarar os atos humanos como formas de contato com o que há em nós mesmos... No fim das contas, tudo está amarrado na história da descodificação: quando olharmos o mundo de forma curiosa e criativa, quebraremos os códigos que nós mesmos criamos e caminharemos para um jeito mais simples e astuto de levar a vida. Acho que explicação melhor para o meu ponto de vista não há, certo?
Não é preciso ser filósofo, escritor ou ter os cabelos desarrumados e a língua de fora para entender o que nos cerca. Basta ter a mente interessada em descobrir novos modos de vida, sempre com o objetivo de organizar as ideias. Deixar a nossa cara no mundo sempre fica mais fácil quando se sabe lidar com algumas de suas “traquinagens”.
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